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Devaneios Menstruados

Tudo o que aqui escrevo é real, por vezes um pouco exacerbado, outras vezes floreado. São os meus devaneios menstruados, as minhas histórias de vida, o emaranhado de cabos que forma a minha mente!

Tudo o que aqui escrevo é real, por vezes um pouco exacerbado, outras vezes floreado. São os meus devaneios menstruados, as minhas histórias de vida, o emaranhado de cabos que forma a minha mente!

TPM no Comboio…

Na minha viagem diária de comboio tenho algum tempo para observar o que me rodeia e me perder em pensamentos. Ontem, enquanto observava duas adolescentes no ato do abocanhanço tresloucado fixei o olhar nelas e pensei… Será que estas duas raparigas de 16 anos se lembram da “minha agenda”? Para que tudo faça sentido passo a enquadrar-vos.

Sou mulher e sofro de TPM severo. Como diz o meu mais que tudo possuo demasiado Tempo Para Merdas! Isso faz com que ao observar duas miúdas a protagonizarem uma cena de puro tesão, em pleno comboio, em hora de ponta me remeta para pensamentos sobre a “minha agenda”! Não encontro (e penso que nunca encontrarei) melhor definição para TPM que a que, tão acertadamente, uma das pessoas

 

 

 

Sem segundas intenções!

Entrei no comboio logo de manhã… O sono não me permitia ostentar um grande sorriso e muito menos “O” sorriso genuíno.

Quando me apercebi estava rodeada de caos e destruição! Eram oito e pouco da manhã e aquela carruagem prometia uma das viagens mais maradas e atribuladas dos últimos tempos… Um grupo, um grande grupo, assustador, barulhento, destabilizador do ambiente pacato da minha viagem de comboio onde deveria imperar o silêncio.

Esse grupo era composto por dezenas de crianças da escola primária!!! Gritos, gargalhadas e uma euforia desmedida às oito e pouco da manhã. Ao pé de mim sentaram-se 6 crianças. De salientar que estávamos num espaço com 4 lugares. Ajeitei-me e dei espaço a que elas se colocassem ainda mais à vontade. Trocámos olhares e fui desarmada pelo sorriso e aquele “bom dia” ternurento do Jaime.

Olhei para ele e sorri. E esse sorriso despoletou a conversa que viria a ser uma das melhores e mais genuínas conversas da minha vida!

Jaime: “Senhora, que horas são?”

Eu: “Quase nove. Onde vão?”

Inês: “Ao Oriente. Já lá estive uma vez a andar de bicicleta.”

Ricardo: “Eu fui no pior dia!”

Gabriela: “Qual?”

Ricardo: “Naquela exposição das pessoas com doenças mentais. É assustador.”

Gabriela: “Não fales nisso. Estive a beber água!”

Quando dei por mim estávamos a falar sobre as experiências de cada um no Oriente.

A Gabriela é a mais pequena dos seis. Tem um sorriso rasgado e gosta de provocar os outros cinco. A Inês tem uns óculos que lhe ficam o máximo naquela face redondinha e rosada. A Marisol é a melhor amiga da Gabriela. O Jaime, mulato de olhos claros, lindo de morrer e com o sorriso mais genuíno que alguma vez vi. O Ricardo, pequeno e magrinho e super interessado na língua inglesa. E o António mais tímido, mas também o que aparentou ter um grau de rebeldia superior.

Decidi tirar o meu caderno e começar a anotar alguns pormenores da nossa conversa.

Jaime: “Posso ler o que está a escrever?”

Eu: “Não preferes ler uma das minhas histórias?”

Passei-lhe o caderno… Leu… Sorriu e disse:

“É bonito!”

A Gabriela decide interromper com “Ele só lê histórias FNAF!”

Eu: “FNAF? O que é FNAF?”

E pronto… Surgiram os risinhos e o “gozo” que me fizeram sentir desatualizada e um pouco inculta nesta nova cena que é o FNAF (Five Nights at Freddy’s - série exclusiva do Cartoon Network. Podem saber mais aqui).

Continuaram as suas histórias, falaram sobre

a entrega de diplomas do 4º ano e como se emocionaram com o momento. Explicaram-me que não ambicionam ser médicos ou juízes, mas sim estilitas, ilustradores ou professores de inglês.

Senti que é tudo tão diferente daquilo que eu me lembro de quando tinha aquela idade. Não consumia FNAF… Corria e andava de bicicleta na rua, esfolava os joelhos, a minha mãe chamava-me à janela para eu ir para casa, jogava com berlindes e peões, destruía as brincadeiras dos meus irmãos e tinha amigos que brincavam comigo nas tardes infindáveis das férias da escola.

Inês, Marisol, Jaime, Gabriela, Ricardo e António obrigada pelos vossos sorrisos, pelas nossas conversas e por olharem para mim sem julgamentos, segundas intenções nem maldade.

Muitos gritos e muita euforia mas a verdade é que foram das melhores companhias na minha viagem de comboio.

 

Sem segundas intenções!.jpg

 

 

P.S.: Obrigada pelos desenhos! Vocês são os maiores!