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Devaneios Menstruados

Tudo o que aqui escrevo é real, por vezes um pouco exacerbado, outras vezes floreado. São os meus devaneios menstruados, as minhas histórias de vida, o emaranhado de cabos que forma a minha mente!

Tudo o que aqui escrevo é real, por vezes um pouco exacerbado, outras vezes floreado. São os meus devaneios menstruados, as minhas histórias de vida, o emaranhado de cabos que forma a minha mente!

A variz que trombosou. Episódio de uma prima de uma amiga de uma amiga minha!

Acredito que a maioria de nós não reflita muito sobre as implicações das varizes na vida diária de uma prima de uma amiga de uma amiga nossa. 

Ter uma variz além de ser considerado pouco estético é, por vezes, uma situação extremamente dolorosa. Mas e se essa variz aparecer no sítio errado, à hora errada e não permitir que a prima de uma amiga de uma amiga nossa consiga andar ou sentar-se? Quem terá sido o cientista energúmeno que não criou uma expressão mais agradável para aquela patologia incomodativa que cria uma angústia profunda quando a prima de uma amiga de uma amiga nossa tem de falar sobre ela? Como é que a prima de uma amiga de uma amiga nossa explica a alguém que tem o cu feito num oito sem usar a palavra hemorroidal?

Há uns anos a prima de uma amiga de uma amiga minha teve uma tremenda crise de febres altas que resultou numa tremenda crise de hemorroidal. Chegou à Faculdade e estava com grandes dificuldades em sentar-se. A aula de Semiótica, prestes a começar, era lecionada por um Frade o que dificultava a tarefa caso fosse necessário algum tipo de explicação.

No fim da aula, ao ver a

prima de uma amiga de uma amiga minha um pouco pálida, o Professor decidiu perguntar-lhe o que se passava:

- A menina está bem? Está um pouco pálida.

- Estou com um problema e com algumas dores.

- Mas está doente? - O Professor decidiu insistir para saber o que se passava.

- Sim.

- Mas o que é que tem?

Ficou ainda mais pálida. A vergonha de dizer ao Professor, que também era Frade, que tinha dores no rabo, começava a deixá-la em pânico.

- Tenho uma variz que trombosou.

- Uma variz? Na perna? 

- Mais ou menos Professor. Um pouco mais acima.

- Mais acima? - Ele continuava sem desistir da ideia de perceber o que se passava.

A prima de uma amiga de uma amiga minha começava a ficar desesperada. O sangue descia-lhe aos pés e a dor no rabo já tinha perdido a importância. Respirou fundo e disse-lhe:

- No ânus Professor. A variz que trombosou é no ânus!

O Professor ficou azul, passou a roxo e acabou corado. Tudo porque problemas anais são sempre complicados de expor e ainda mais quando não existe um nome marado, científico e em latim que permita falar da situação como se fosse algo inexplicável ao cidadão comum. Hemorroidal... Existe lá palavra mais embaraçosa que esta quando a prima de uma amiga de uma amiga nossa tenta explicar ao mundo o local exato de uma dor.

Se um médico vos disser:

- Prepare-se que vai ter de fazer uma tricotomia inguinal bilateral!

Ficam em pânico certo? Ai está! Que nome tão complicado para informar um doente que lhe vão rapar as virilhas!

 

E um nome mais porreiro para hemorroidal? Não?

 

Assinado: A prima de uma amiga de uma amiga minha.

 

 

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