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Devaneios Menstruados

Tudo o que aqui escrevo é real, por vezes um pouco exacerbado, outras vezes floreado. São os meus devaneios menstruados, as minhas histórias de vida, o emaranhado de cabos que forma a minha mente!

Tudo o que aqui escrevo é real, por vezes um pouco exacerbado, outras vezes floreado. São os meus devaneios menstruados, as minhas histórias de vida, o emaranhado de cabos que forma a minha mente!

... Merda!

Acabas de pintar o teu quarto de vermelho, vermelho sangue! Claro que pintas de vermelho… É um quarto!

Toca o telefone…

Infelizmente tens de ir ter com um familiar ao Hospital de Santa Maria. Tomas um duche a correr, não comes e fumas dez cigarros. Entras no carro e está na reserva… Para variar! Carregas no acelerador, páras na bomba e abasteces. Segues! Chegas ao Hospital e a sala de espera está quente, mas quente. Ar Condicionado avariado, pessoas doentes, caos instalado. Quando achas que nada pode piorar, ouves:

─ Aiiiiiiii que me esfolei!

Olhas e começas a ver sangue… MUITO sangue! A senhora, na casa dos setenta anos, levanta a perna direita das calças e tem um naco de carne pendurada. Não se esfolou… Cortou-se numa cadeira de rodas!

Tentas manter a calma, vais ter com o segurança, pedes ajuda e levas com a tal resposta:

─ Traga a senhora para dentro.

─ Eu?

Reages e barafustas! A situação começa a descontrolar-se à mesma velocidade que o teu cérebro assimila a confusão. Alguém leva a senhora, olhas para o chão e vês a poça de sangue…

Suores, muitos suores… Apitos nos ouvidos e

percebes que vais desfalecer. Arrasta-te para a rua, agachaste e ouves:

─ Está a sentir-se bem? Quer um pacote de açucar?

Mais um segurança mas este é dos bons! Recusas e decides ficar só a apanhar ar e a fumar cigarros.

Levantas-te e agachaste…

Levantaste e agachaste outra vez…

Levantas-te e agachaste só mais uma vez…

Decides aceitar o açúcar…

 Melhoras, levantaste e vais comer qualquer coisa e comprar água. Melhoras… Mas por pouco tempo… Ficas debaixo do alpendre de uma janela, acendes um cigarro e pumba!

Levas com “A” real cagada de uma avestruz! Só pode ser uma avestruz…

Tens merda do cocuruto da cabeça à unha do pé do dedo mindinho. Dizes com esperança de ouvir o contrário:

─ Amor! Diz-me que não é merda de pombo…

─ Relaxa amor, abstrai-te, não penses nisso e vai à casa de banho.

Pensas:

Casa de banho de um Hospital…              

Germes…

Patologias…

Doenças…

Viroses…

Infeções…

Bactérias…

Abres uma garrafa de água gelada (que compraste para beber mais tarde) e despeja-la por cima de ti! Sacas de um pacote de lenços e começas a limpar.

─ Amor! Diz-me que não é merda de pombo…

─ Não amor só pode ser de avestruz! Tens merda em todo o lado! Abstrai-te!

Continuas a limpar e as náuseas surgem! Olhas para cima e o cabrão do pombo ri-se de fininho com o olho do cu virado para ti! Acabas de te limpar e tens uma epifania!

─ Amor vamos pôr o euromilhões! Uma cagada destas só pode ser um sinal!

Amochas com quatro euros…

Regressas e decides esperar no carro. Surge uma mulher com dezenas de tortas Dancake nas mãos e começas a perceber que se dirige a ti. Prevês mais um filme e eis que acontece! Ela com a pulseira verde das urgências no pulso diz:

─ Como é que a bófia acha que sou a ricaça da Maria Conceição. Não acha que só podem estar a gozar comigo?

Ignoras…

Ela insiste e enfia a cabeça na janela aberta do teu carro. Respiras fundo e deixa-la debitar informação… Ela desiste!

O teu familiar tem alta, estás exausta e voltas para casa… Vais ver a chave do euromilhões…

 Não te sai nada!

 Que dia de…

 

 

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