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Devaneios Menstruados

Tudo o que aqui escrevo é real, por vezes um pouco exacerbado, outras vezes floreado. São os meus devaneios menstruados, as minhas histórias de vida, o emaranhado de cabos que forma a minha mente!

Tudo o que aqui escrevo é real, por vezes um pouco exacerbado, outras vezes floreado. São os meus devaneios menstruados, as minhas histórias de vida, o emaranhado de cabos que forma a minha mente!

Os sentimentos depressivos do naperon da tua avó

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Ser naperon em pleno século XXI faz de mim um totó inútil e démodé. Antigamente o meu uso elevava-me a um pódio de glória e popularidade. O maior orgulho de um novelo de linha era dar a sua vida e transformar-se, ao ser sodomizado com uma agulha de croché, num belo e branquinho naperon elaborado ao longo de umas horas de tédio, algures num lar de idosos.

Estar dobrado nesta gaveta rodeado de bolas de naftalina e todo encardido reduz-me a um pedaço de um emaranhado de linhas que em nada orgulha o ADN da minha mãezinha - carrinho de linhas nº11 - que percorre o meu corpo.

Entre as minhas tendências suicidas almejo um objeto cortante que trespasse uma das minhas bordas e inicie o desenlaçar dos pontos que me unem. Eu, naperon dos tempos da tua avó, nutro sentimentos profundos pelas televisões antigas de madeira, em que tinhas de levantar o rabinho do sofá e mudar de canal. Os tempos em que a tua televisão me aquecia as partes íntimas enquanto eu jazia sossegado e direitinho no cume do ser de um televisor. Hoje parecem folhas de papel gigantes onde não me consigo encaixar. Até os fogões são

 

O Último Reduto do Campista Tuga!

Finalmente de férias! Somos invadidos por aquela suposta paz e o famoso sossego com que sonhámos, pelo menos, no último mês… Os primeiros dias são de bezerra total e começam os planos para irmos acampar. Não queríamos a confusão habitual dos parques de campismo perto da praia, temos de respeitar a “velhice”, a idade que já não temos e a vontade de estarmos num sítio calmo e sem caos.

Carregámos a carrinha com tudo o que não usávamos para acampar ao longo da adolescência. Nessa altura apenas precisávamos de uma mochila e de uma tenda… Agora preocupamo-nos em levar roupa quente (essencial para a noite), comida além das habituais latas de atum e salsichas, papel higiénico, e cenas e mais cenas e mais cenas…

Decidimos rumar ao Alentejo, até à bela localidade de Avis. Para evitar portagens vamos pela nacional, são só 157 km até lá. Um tirinho portanto… Ou… Não!

Começa a saga da falta de placas assim que chegamos a um cruzamento ou rotunda. Demorámos três horas e meia em vez de duas, isto porque o piloto tem um sentido de orientação bem bom! (já a copiloto por algum motivo tem a fama de ser perita em perder-se em estradas nacionais. O meu record pessoal: nove horas e meia a fazer o percurso Lisboa-Porto). A viagem, debaixo da torreira do sol, deixou-nos derreados e só queríamos montar o estaminé e relaxar. A rececionista do parque foi o primeiro sinal de que a estadia prometia… E muito! Entrámos e ela pintava o seu livro de mandalas com um lápis cor-de-rosa. Atendeu-nos com uma simpatia extrema e depois de infindáveis explicações sobre o parque lá seguimos para o nosso spot.

Começámos a perceber que somos campistas desatualizados… Atirámos a tenda ao ar e em dois segundos percebemos que a nossa tenda é old school. Temos de abri-la, colocar armações, esticá-la e espiá-la ao chão à martelada, mas o espírito é mesmo esse! Certo? Ainda usamos candeeiro a pilhas e botijas de gás daquelas azuis e ferrugentas da Campigaz nas quais se enrosca o bico para cozinhar (segundo sei, hoje em dia são de encaixe e descartáveis – é a evolução…). Nas tendas ao lado da nossa existia eletricidade, televisões, frigoríficos, gambiarras e toda uma parafernália de cenas que pouco invejas (há exceção do frigorífico para manter as jolas fresquinhas!).

Decidimos ir dar um mergulho à praia fluvial lá do sítio, já eram quase sete da tarde, mas o calor não nos permitia fazer absolutamente nada a não ser pensar