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Devaneios Menstruados

Tudo o que aqui escrevo é real, por vezes um pouco exacerbado, outras vezes floreado. São os meus devaneios menstruados, as minhas histórias de vida, o emaranhado de cabos que forma a minha mente!

Tudo o que aqui escrevo é real, por vezes um pouco exacerbado, outras vezes floreado. São os meus devaneios menstruados, as minhas histórias de vida, o emaranhado de cabos que forma a minha mente!

A Queda do Ego

Nem tudo o que reluz é ouro…

 

No auge dos meus vinte anos passei aquela fase do ego nos pícaros. Foi fácil perceber que estava a passar por essa fase. Numa tarde de sol radiante e enquanto fumava um cigarro com uns amigos senti-me observada por alguém. Encostado a uma parede frente a mim estava um belo rapaz com os seus olhos claros fixos na minha pessoa. Pensei alguns minutos e comentei com a malta que iria falar com ele. Aproximei-me e com uma enorme cara de pau disse-lhe:

- Estás fixo em mim há tanto tempo. Já nos conhecemos? (sempre tendo em mente que estava com os meus melhores jeans vestidos e com aquele top que me escondia o pneuzinho na barriga).

Ele sorriu e colocou a mão no bolso. Segundos depois oiço um “tac, tac, tac”. Olho para baixo e percebo que do nada surgiu uma bengala extensível. A resposta chegou rapidamente:

- Posso estar a olhar, mas sou cego!

Senti a cara a ficar de um vermelho intenso e rematei a conversa da pior maneira possível:

- Ainda bem. Porque estou vermelha que nem um tomate e preciso de arranjar um buraco para me esconder.

Enquanto era gozada à grande pela malta que ria em alto e bom som conversámos um bocadinho e pedi-lhe desculpa.

Mas aprendi a lição: toca a baixar o ego menina!

… Nem todos os que olham para ti te vêem.

 

O Último Reduto do Campista Tuga!

Finalmente de férias! Somos invadidos por aquela suposta paz e o famoso sossego com que sonhámos, pelo menos, no último mês… Os primeiros dias são de bezerra total e começam os planos para irmos acampar. Não queríamos a confusão habitual dos parques de campismo perto da praia, temos de respeitar a “velhice”, a idade que já não temos e a vontade de estarmos num sítio calmo e sem caos.

Carregámos a carrinha com tudo o que não usávamos para acampar ao longo da adolescência. Nessa altura apenas precisávamos de uma mochila e de uma tenda… Agora preocupamo-nos em levar roupa quente (essencial para a noite), comida além das habituais latas de atum e salsichas, papel higiénico, e cenas e mais cenas e mais cenas…

Decidimos rumar ao Alentejo, até à bela localidade de Avis. Para evitar portagens vamos pela nacional, são só 157 km até lá. Um tirinho portanto… Ou… Não!

Começa a saga da falta de placas assim que chegamos a um cruzamento ou rotunda. Demorámos três horas e meia em vez de duas, isto porque o piloto tem um sentido de orientação bem bom! (já a copiloto por algum motivo tem a fama de ser perita em perder-se em estradas nacionais. O meu record pessoal: nove horas e meia a fazer o percurso Lisboa-Porto). A viagem, debaixo da torreira do sol, deixou-nos derreados e só queríamos montar o estaminé e relaxar. A rececionista do parque foi o primeiro sinal de que a estadia prometia… E muito! Entrámos e ela pintava o seu livro de mandalas com um lápis cor-de-rosa. Atendeu-nos com uma simpatia extrema e depois de infindáveis explicações sobre o parque lá seguimos para o nosso spot.

Começámos a perceber que somos campistas desatualizados… Atirámos a tenda ao ar e em dois segundos percebemos que a nossa tenda é old school. Temos de abri-la, colocar armações, esticá-la e espiá-la ao chão à martelada, mas o espírito é mesmo esse! Certo? Ainda usamos candeeiro a pilhas e botijas de gás daquelas azuis e ferrugentas da Campigaz nas quais se enrosca o bico para cozinhar (segundo sei, hoje em dia são de encaixe e descartáveis – é a evolução…). Nas tendas ao lado da nossa existia eletricidade, televisões, frigoríficos, gambiarras e toda uma parafernália de cenas que pouco invejas (há exceção do frigorífico para manter as jolas fresquinhas!).

Decidimos ir dar um mergulho à praia fluvial lá do sítio, já eram quase sete da tarde, mas o calor não nos permitia fazer absolutamente nada a não ser pensar