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Devaneios Menstruados

Tudo o que aqui escrevo é real, por vezes um pouco exacerbado, outras vezes floreado. São os meus devaneios menstruados, as minhas histórias de vida, o emaranhado de cabos que forma a minha mente!

Tudo o que aqui escrevo é real, por vezes um pouco exacerbado, outras vezes floreado. São os meus devaneios menstruados, as minhas histórias de vida, o emaranhado de cabos que forma a minha mente!

O Natal aproxima-se!

Perto do Natal penso como a maioria das pessoas perde o civismo e a compostura na loucura, caos e destruição em que umas meras compras se conseguem transformar.

Juro que caso volte a ser empurrada no meio do stress natalício, sem ouvir um "desculpe", dou verdadeiro uso ao bacalhau seco graúdo, com 35% de desconto algures num hipermercado perto de si, arremessando-o violentamente contra a cara de alguém!

Uma bacalhoada na fronha por dia não sabe o bem que lhe fazia! 

Gavetas Vs Cabos | Parte II

Sem dúvida que as gavetas são muito mais simples e eficazes que os cabos que emaranham a cabeça das mulheres em pensamentos múltiplos, complexos e, por vezes, sem sentido. Quando estamos com as ditas “ideias fixas” temos a enorme dificuldade de o assumir e tornamos uma simples saída para jantar fora o maior caos, o perigo eminente, a derrocada de uma relação!
Quantas de nós já terão estragado uma saída para um suposto jantar romântico com isto:

– Amor queres ir jantar onde? – diz-nos ele com aquele ar lamechas de sexta-feira à noite.

– Não sei... (Na verdade este não sei, quer dizer “quero ir à Costa da Caparica mas tu vais ter de adivinhar!).

– Queres ir à Costa ou vamos a Cascais?

– Não sei amor. Escolhe tu. (Traduzindo: “Usa a tua bola de cristal e adivinha que quero ir à Costa!)

– Então vamos a Cascais! – diz ele já desesperado e nervoso com a possibilidade de falhar a resposta.

– Parece-me bem! (Na verdade ela está a começar a ferver porque em 50% de hipóteses ele FALHOU! É sempre a mesma coisa!!!).

Metem-se no carro

 

Sem segundas intenções!

Entrei no comboio logo de manhã… O sono não me permitia ostentar um grande sorriso e muito menos “O” sorriso genuíno.

Quando me apercebi estava rodeada de caos e destruição! Eram oito e pouco da manhã e aquela carruagem prometia uma das viagens mais maradas e atribuladas dos últimos tempos… Um grupo, um grande grupo, assustador, barulhento, destabilizador do ambiente pacato da minha viagem de comboio onde deveria imperar o silêncio.

Esse grupo era composto por dezenas de crianças da escola primária!!! Gritos, gargalhadas e uma euforia desmedida às oito e pouco da manhã. Ao pé de mim sentaram-se 6 crianças. De salientar que estávamos num espaço com 4 lugares. Ajeitei-me e dei espaço a que elas se colocassem ainda mais à vontade. Trocámos olhares e fui desarmada pelo sorriso e aquele “bom dia” ternurento do Jaime.

Olhei para ele e sorri. E esse sorriso despoletou a conversa que viria a ser uma das melhores e mais genuínas conversas da minha vida!

Jaime: “Senhora, que horas são?”

Eu: “Quase nove. Onde vão?”

Inês: “Ao Oriente. Já lá estive uma vez a andar de bicicleta.”

Ricardo: “Eu fui no pior dia!”

Gabriela: “Qual?”

Ricardo: “Naquela exposição das pessoas com doenças mentais. É assustador.”

Gabriela: “Não fales nisso. Estive a beber água!”

Quando dei por mim estávamos a falar sobre as experiências de cada um no Oriente.

A Gabriela é a mais pequena dos seis. Tem um sorriso rasgado e gosta de provocar os outros cinco. A Inês tem uns óculos que lhe ficam o máximo naquela face redondinha e rosada. A Marisol é a melhor amiga da Gabriela. O Jaime, mulato de olhos claros, lindo de morrer e com o sorriso mais genuíno que alguma vez vi. O Ricardo, pequeno e magrinho e super interessado na língua inglesa. E o António mais tímido, mas também o que aparentou ter um grau de rebeldia superior.

Decidi tirar o meu caderno e começar a anotar alguns pormenores da nossa conversa.

Jaime: “Posso ler o que está a escrever?”

Eu: “Não preferes ler uma das minhas histórias?”

Passei-lhe o caderno… Leu… Sorriu e disse:

“É bonito!”

A Gabriela decide interromper com “Ele só lê histórias FNAF!”

Eu: “FNAF? O que é FNAF?”

E pronto… Surgiram os risinhos e o “gozo” que me fizeram sentir desatualizada e um pouco inculta nesta nova cena que é o FNAF (Five Nights at Freddy’s - série exclusiva do Cartoon Network. Podem saber mais aqui).

Continuaram as suas histórias, falaram sobre

a entrega de diplomas do 4º ano e como se emocionaram com o momento. Explicaram-me que não ambicionam ser médicos ou juízes, mas sim estilitas, ilustradores ou professores de inglês.

Senti que é tudo tão diferente daquilo que eu me lembro de quando tinha aquela idade. Não consumia FNAF… Corria e andava de bicicleta na rua, esfolava os joelhos, a minha mãe chamava-me à janela para eu ir para casa, jogava com berlindes e peões, destruía as brincadeiras dos meus irmãos e tinha amigos que brincavam comigo nas tardes infindáveis das férias da escola.

Inês, Marisol, Jaime, Gabriela, Ricardo e António obrigada pelos vossos sorrisos, pelas nossas conversas e por olharem para mim sem julgamentos, segundas intenções nem maldade.

Muitos gritos e muita euforia mas a verdade é que foram das melhores companhias na minha viagem de comboio.

 

Sem segundas intenções!.jpg

 

 

P.S.: Obrigada pelos desenhos! Vocês são os maiores!