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Devaneios Menstruados

Tudo o que aqui escrevo é real, por vezes um pouco exacerbado, outras vezes floreado. São os meus devaneios menstruados, as minhas histórias de vida, o emaranhado de cabos que forma a minha mente!

Tudo o que aqui escrevo é real, por vezes um pouco exacerbado, outras vezes floreado. São os meus devaneios menstruados, as minhas histórias de vida, o emaranhado de cabos que forma a minha mente!

TPM no Comboio…

Na minha viagem diária de comboio tenho algum tempo para observar o que me rodeia e me perder em pensamentos. Ontem, enquanto observava duas adolescentes no ato do abocanhanço tresloucado fixei o olhar nelas e pensei… Será que estas duas raparigas de 16 anos se lembram da “minha agenda”? Para que tudo faça sentido passo a enquadrar-vos.

Sou mulher e sofro de TPM severo. Como diz o meu mais que tudo possuo demasiado Tempo Para Merdas! Isso faz com que ao observar duas miúdas a protagonizarem uma cena de puro tesão, em pleno comboio, em hora de ponta me remeta para pensamentos sobre a “minha agenda”! Não encontro (e penso que nunca encontrarei) melhor definição para TPM que a que, tão acertadamente, uma das pessoas

que melhor me conhece tem do meu TPM. Sim, ele conhece aprofundadamente aquela semana complicada, em que me sinto um bicho com hormonas taralhoucas, possuída por um monstro sanguinário que me afeta o sistema nervoso e me torna incompreensível e me eleva a sensibilidade ao quadrado!

Continuando…

Ao olhar para elas e de telemóvel na mão a tentar organizar a minha agenda veio-me à memória uma grande frustração, quiçá o meu maior trauma da adolescência. Perto da época do Natal existia um anseio pela derradeira prenda. Eu sempre quis ter “a minha agenda”! Acredito que quem tenha nascido na década de 80 perceba bem do que estou a falar… Ou não!

Eu queria “a minha agenda”, aquela do anúncio de televisão que eu via atentamente perto do Natal. Eu tinha uma agenda minha, é verdade, mas não era (e nem se aproximava) da “minha agenda”! Depois do Natal sentia que todos tinham “a minha agenda” menos eu… Ainda hoje sonho ter a “minha agenda”.

Voltei a mim e ao comboio, as duas adolescentes estavam ainda mais empolgadas e além de sugarem efusivamente a boca uma da outra as mãos andavam em sítios menos próprios naquela carruagem…

Sim… Qualquer psicólogo perceberia que eu tenho um trauma de infância e que todos os Natais da minha adolescência ficaram marcados pela ausência da “tal” prenda…

Acredito que não serei caso único!

Sai do comboio, elas também. Fixei-as uma última vez e voltei aos meus pensamentos sobre como duas adolescentes no auge da descoberta sexual me levaram para pensamentos sobre “a minha agenda”. Não consigo perceber... Enfim...

Deixo-vos com o anúncio que tanto me marcou…